Quantos usuários GNU/Linux tem no mundo? (estimativas & previsões)
Não dá pra saber exatamente quantas pessoas usam ou quantos computadores de escritório rodam o GNU/Linux. Isso faz parte da liberdade, as pessoas não precisam informar ninguém que estão usando um sistema livre, os usuários não precisam se cadastrar e ninguém é rastreado. Seria interessante porém de saber mais ou menos de que ordem de grandeza estamos falando e por sorte existem algumas estatísticas que podem nos dar alguns indícios. As estatísticas principais são os contadores do Linux (veja links abaixo) e a porcentagem de sistemas operacionais GNU/Linux que navegam pela Internet (veja links). Estas quotas e tendências são estimativas mas de qualquer jeito é interessante dar uma olhada.
Os números:
O Linux counter estima que existem 21.5 milhões de usuários baseando-se em cerca de 130.000 usuários registrados (linuxcounter.net, 10/2011) mas este número poderia se situar em qualquer lugar entre 2,5 milhões até 65 milhões de usuários.
A média das estatísticas de navegação da Internet de várias fontes estima que os sistemas operacionais GNU/Linux representam 1.11% do total do tráfego da Internet. Se acrescentamos o Android a estes números (sendo que o Android tem um núcleo baseado no Linux e que a maioria do sistema é Software Livre) então teríamos 2.25% das quotas de navegação para todos os sistemas Linux. Este número varia entre 0.74% para StatOwl em agosto de 2011 até 5.2% para w3schools para este mesmo período. A Gartner prevê que as quotas do GNU/Linux permanecerão abaixo de 2% durante os próximos anos (gcn.com).
O que segue é uma pura estimativa mas poderíamos dizer que existem aproximadamente 1,5 bilhões de computadores em uso hoje (cerca de 1 bilhão em 2008 e uma previsão de 2 bilhões em 2014 segundo a Gartner, então vamos dizer que estamos na metade ou mais). Neste caso os 1.11% de computadores GNU/Linux navegando a Internet hoje representariam algo como 16,650.000 ou mais computadores. Contando com os dispositivos Android este número pula pra 33,750.000 ou mais sistemas operacionais baseados em Linux navegando pela Internet.
Temos dados interessantes sobre as quotas por pais e por região. Cuba, por exemplo, lidera com 6.33% de plataformas GNU/Linux em seu próprio mercado mas a América Latina só tem 0,88%. A Macedonia é o pais que lidera na Europa com 2.8% e a Europa em conjunto é a região lider com 1.14% segundo Statcounter unicamente (pingdom.com).
Uma outra dificuldade é que não há como saber quantos usuários usam uma mesma máquina. As vezes um computador será usado por uma família inteira, as vezes um sujeito usa uma família inteira de computadores. Temos que considerar também que a maioria dos usuários GNU/Linux também tem a disposição um outro sistema operacional e podem usá-lo par navegar pela Internet.
As tendências:
O aumento de usuários que se registram no linuxcounter.net é de aproximadamente 15,000 por ano, o que significa que poderia representar um total de 600,000 novos usuários por ano.
As tendências de navegação são difíceis de seguir mas a maioria delas mostra um aumento global de sistemas GNU/Linux. Das diferentes fontes de estatísticas da web observamos que as quotas GNU/Linux aumentam entre 0,1% (netmarketshare.com) e 0,5% (w3schools.com) a cada ano. Este aumento pode ser de novos computadores que estão entrando no mercado como de computadores velhos que estão migrando para o GNU/Linux. Não faz sentido, na verdade, tentar saber exatamente quantas pessoas usam, mas já que estamos falando do assunto, vamos fazer umas previsões meio loucas!
As previsões:
Vamos deixar os números se assentarem por um momento e observar o que está acontecendo no mundo GNU/Linux. No fundo estes números não são aleatórios, eles dependem de pessoas reais que tomam decisões reais e agem no mundo real. Uma olhadinha nestas iniciativas deveria nos dar uma idéia melhor do que as estatísticas unicamente.
Começando com o Ubuntu, a distribuição mais popular hoje em dia, o futuro próximo parece muito bom. O Mark Shuttleworth disse que o Ubuntu prevê ter 200 milhões de usuários até 2015 (veja no minuto 6' da Ubuntu Keynote may 2011). Mas será que isso é possivel? O que será que ele tem em mente? Eu acho que ele tem um plano e que ele não disse isso só da boca pra fora. De fato, podemos ler algumas coisas no site da Canonical Ltd. que dão peso às palavras do Mark. A região espanhola da Andaluzia está implantando uma plataforma baseada no Ubuntu em 220,000 computadores de escolas em toda a região até 2012, a policia nacional francesa vai migrar seus 85,000 computadores ao Ubuntu até 2014 (ubuntu.com), 10,000 computadores do grupo alemão LVM já estão rodando o Ubuntu (canonical.com), o Ubuntu também estará disponível de fábrica nos computadores ASUS Eee PC (canonical.com), a Dell é conhecida por vender alguns computadores com o Ubuntu mas isso não está totalmente esclarecido. Bom, isso não chega a 200 milhões mas é um ótimo começo. Mais do que tudo, se trata de uma exposição do Ubuntu a milhões de pessoas que podem (ou não) escolher de usá-lo nos seus computadores pessoais também.
A Red Hat Inc. também esta indo muito bem, compraram recentemente a Gluster para estar em dia com o cloud computing e está a caminho de se tornar uma empresa de 1 bilhão de dólares. Entre seus clientes podemos citar Dreamworks (entretenimento), CEPSA (petróleo), European University Institute (educação), Mazda Austria (automóveis), o Ministério da saúde brasileiro (governo), SFR (telecomunicações)... e a lista continua (redhat.com).
A BBC fez um ótimo documentário (em inglês) que cobre alguns dos usos do GNU/Linux em várias situações, especialmente nos paises em desenvolvimento, mostrando o potencial incrível da plataforma.
Os desafios:
Eu imagino dois grandes eventos no futuro que poderiam mudar completamente as regras do jogo. O primeiro é o final do computador pessoal como conhecemos hoje para passar a usar dispositivos transportáveis e a computação nas nuvens. Isso seria uma mudança de mentalidade para todo mundo e para todas as plataformas. Talvez desta vez o desenvolvimento do GNU/Linux pode começar junto com as outras plataformas e eventualmente ganhar o mercado. Embora a computação nas nuvens parece ser a tendência do momento, devo dizer que eu não estou muito entusiasta.
O outro evento que poderia acontecer se os computadores GNU/Linux começarem a ganhar quotas do mercado é que as empresas de sistemas proprietários poderiam começar a lançar algumas versões dos seus sistemas operacionais gratuitamente ou sob uma espécie de licença 'aberta-restritiva'. Isso é um pouco o que aconteceu com o Windows XP ultimamente. O XP ainda possui uma fatia do mercado incrível se considerarmos que ele foi lançado dez anos atrás. Isso se deve principalmente ao fracasso do Vista e que a Microsoft começou a dar o XP de graça para aqueles que queriam voltar atrás (zdnet.com). A Microsoft já fez algo parecido em 1996 quando lançaram o Internet Explorer gratuitamente para "cortar o ar da Netscape" (wikipedia.org). A diferença entre a guerra dos navegadores e uma possivel guerra de sistemas operacionais é que o Software Livre não é desenvolvido por uma empresa, ele é feito por pessoas, qualquer pessoa, e isso vira em 180 graus o modelo de desenvolvimento de software.
Leia também (em inglês):
http://en.wikipedia.org/wiki/Usage_share_of_operating_systems
http://en.wikipedia.org/wiki/Personal_computer#Market_and_sales
http://catb.org/~esr/writings/world-domination/world-domination-201.html
Linux counter:
http://linuxcounter.net/
Browsing statistics
http://www.netmarketshare.com/operating-system-market-share.aspx?qprid=8&qpcustomd=0
http://gs.statcounter.com/#os-ww-monthly-201009-201109
http://www.w3schools.com/browsers/browsers_os.asp
http://www.statowl.com/operating_system_market_share.php


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